11.12.08

Sobre o deserto do Atacama.

Sabiam que o deserto do Atacama é deserto porque é seco, e é seco por causa de uma corrente marítima fria, e que essa corrente marítima fria vem do pólo Sul, e que o nome dela é Humboldt?
Eita vida besta, meldels.

8.12.08

Sebastianismo intra-pessoal.

Mano, eu era mais legal quando tinha oito anos. (sem qualquer referência a Dona Aurora)

Diálogo extra-astrológico

(Anninha ^^)

Clara olhava a lua,
Deitada na grama.
Rechonchuda,
Fitava de volta a garota.

Clara sorria à lua,
Deitada na grama.
Faiscante,
Sorria de volta à garota.

Clara dormia à lua,
Deitada na grama.
Reluzente,
Ninava, então, a garota.

Clara falava de amor à Lua,
Deitada na grama.
A Lua, no entanto, não compreendia.
- Luas não foram feitas para amar, mas para sorrir
Cintilantes
No céu estrelado
Aos amantes.

4.12.08

Matamoros (da Fantasia)

"(...), pensei morrer, disse vou morrer sim, ficarão abraçados nos minutos primeiros, as caras tétricas, e muito soluçosos nesta noite de pios da minha morte, depois a alegria há de tomá-los, mas por pouco tempo porque meu espectro estará rondando casa e quarto, arrefecendo o instante de ladineza, entre o corpo dos dois estará Matamoros, nuvem gélida espalhando padecimento e perdição, não deixarei que sintam a desnudez de nenhum, hão de tocar-se mas de espanto os dedos encolhidos saberão que tocaram o hórrido vazio, matéria de ninguém (...)"

Tu não te moves de ti, Hilda Hilst

1.12.08

Tratado sobre a morte e a não-vida.

No meio do caminho
tinha uma pedra
(e uma barata morta)
As formigas subiam-lhe e lhe devoravam os restos
(da barata,
não da pedra)

29.11.08

última-aula-de-projeto

may i feel said he
(i'll squeal said she
just once said he)
it's fun said she

(may i touch said he
how much said she
a lot said he)
why not said she

(let's go said he
not too far said she
what's too far said he
where you are said she)

may i stay said he
(which way said she
like this said he
if you kiss said she

may i move said he
is it love said she)
if you're willing said he
(but you're killing said she

but it's life said he
but your wife said she
now said he)
ow said she

(tiptop said he
don't stop said she
oh no said he)
go slow said she

(cccome?said he
ummm said she)
you're divine!said he
(you are Mine said she)

e. e. cummings

26.11.08

Brás(il)

Equatoriana
"chahara que a gente chama"
Minha'vó que deu.

22.11.08

Day Camp

- Esse bolo é bom?
- É, é um bolo. Só um bolo.
- Um bolo em-si.
- Isso, um bolo cheio de má-fé.

1.11.08

Park-poema

Proibida a
passagem de
pedestres
pela ram-
pa.

31.10.08

Metalinguagem metalingüisticamente

A função metalinguística se dá quando um texto, verbal ou não, faz referência a ele mesmo.

18.10.08

Claricismo

"Mas é a mim que caberá impedir-me de dar nome à coisa. O nome é um acréscimo, e impede o contato com a coisa. O nome da coisa é um intervalo para a coisa. A vontade do acréscimo é grande - porque a coisa nua é tão tediosa."
A paixão segundo G.H.

12.10.08

A paixão segundo C.L.

Que fique registrado o quanto eu invejo Clarice Lispector.

10.10.08

Cotidiano

“(...)
E quando se cumprir aquele
Instante, que tardando vai,
De eu deixar esta vida, quero

Morrer agarrado com ele.
Talvez me salve. Como – espero –
Minha mãe, minha irmã, meu pai.”
(O Crucifixo, Manuel Bandeira)

Os dedos de Glória correram-lhe pelo colo pálido e agarraram-se ao crucifixo de marfim já amarelado pelo tempo. Única lembrança da mãe. As lágrimas molhavam-lhe a face e os cabelos. O longo casaco encobria o corpo miúdo.

A rua, mais escura ao adentrar a noite, um frio cortante. Bêbados jogados às sarjetas, abandonados pela vida. A verdadeira Roda dos Enjeitados, sem que houvesse viva alma além do muro. Junto ao poste de iluminação, a garota espera. Todos os dias, há cinco anos.

Sorria um sorriso falso de felicidade forçada aos olhares de desprezo e comiseração. Cuspiam-lhe na cara. Puxava o amuleto que pendia ao colo. Beijava-o. As lágrimas voltavam a escorrer-lhe pela face, chegando-lhe aos lábios. Embriagava-se de seu próprio tormento.

Àquela manhã voltou para casa, roupas rasgadas, vergões fundos impressos na fina pele alva.

"O dinheiro."

Os olhos permaneceram fixos no chão. O pai foi tomado pela fúria.

O corpo de Glória jazia, ainda quente, nu, sobre a cama. Na face, marcas negras. Na cabeça, o sangue escorrendo, a marca da estaca de ferro. O cordão marcava-lhe o pescoço, o crucifixo caía ao lado da cama. Um cheiro nauseabundo invadira o quarto. O pai desfez-se das roupas ensangüentadas. Foi ao trabalho.

O jornal daquela tarde trazia a manchete estampada na primeira página: "Prostituta é morta pelo pai". Ou talvez tenha sido uma minúscula nota ao canto da terceira ou quarta página. Ninguém se lembra ao certo.

(isso-aqui-tá-uma-merda-mesmo)

5.10.08

Casa das Rosas

Germina. É broto e cresce
Tão bruto, reluz.
Criação padece
E jaz, só,
Sem luz:
Pó.

(porque a gente não consegue fazer soneto com versos decassílabos/alexandrinos, então faz essas porcarias...)

4.10.08

Olhe

Não que fosse um sonho de infância. Queria ser bombeiro. A pintura surgiu ocasionalmente, em um anúncio no jornal do governo. A arte nunca me havia inspirado admiração, nem ao menos desprezo. Eu entendo, hoje, sua essência.

A carteira é assinada, e o pagamento, insignificante. No entanto a obra, ah...a obra!, esta permanece viva nos destinos e nos caminhos do passante. Em meio à selva de concreto, as luzes piscam freneticamente como guias a apresentar as telas e esculturas de um museu. E os mais velozes param, diariamente, estarrecidos, a observar a arte ante seus olhos.

A obra não é original, é o pós-moderno: nós a resgatamos, dia após dia, universalmente. A Vida, então, vem, invade violentamente os espaços, e o Tempo, sempre soprando, tenta apagar a História. Sou chamado, então a renovo, as cores, os traços, tudo...É a primeira vez. Novamente.

E aquele contraste...! É o grande Tratado da Civilização. O fruto das Revoluções. Da Inglesa, da Francesa, da Industrial. A Amante Futurista, velocidade e progresso. O Positivismo impresso a tinta, em linhas, ordem e progresso. A arte urbana, concisa, precisa, nunca reconhecida, sem prêmios ou menções honrosas. Pintura marginal, expressão de uma cultura civilizada. Exclusão.

Em letras, apenas um conselho amigável: “OLHE”. E então podes atravessar a faixa de pedestres.

(6º lugar no concurso de literatura, sabe lá Deus porque. Eu classificaria como alguma coisa entre péssimo e Paulo Coelho.)

Anedota Búlgara

Era uma vez um czar naturalista
que caçava homens.
Quando lhe disseram que também se caçam borboletas e andorinhas,
ficou muito espantado
e achou uma barbaridade.
(Carlos Drummond de Andrade, Alguma Poesia)

27.9.08

Pós-modernidade manifesta

Verossimilhança é para os fracos. E tenho dito.

26.9.08

Ficções existenciais.

Há alguma coisa no Nada de muito intrigante.

19.9.08

Etilismo

Neurose
Mitose
Cirrose.

6.9.08

Nome novo.

É, porque eu cansei do outro.