26.3.10

All the single planets

Fazia tempo que não via algo tão genial, com esse capacidade intertextual com a cultura pop. (?)



Para ver ouvindo: Single Ladies

29.1.10

I'll take a ride on the wild side

Foram sete lagartixas, um jacaré empalhado; três noites, quatro dias; três banhos; muitas comidas.
Foram dois gagaísmos, uns cinco emos. E dois meses sem sair de casa: "Pra aprender a não beijar emo, menina!"

Agora são uma hora e meia de rodoviária, duas e meia de rodovia e o infinito em viagem. Ao infinito e além! Até que a água nos pare por terra e por ar, e o ônibus se recuse a persistir. Até que o motor se afogue ou se fechem as janelas, ignorantes ao externo e concentrante da situação miserável e confortável do interior. Parabéns pelo novo ar-condicionado! Parabéns pela nova casa alta! Mas cuidado. O homem também falha. Até o mais profissional.

16.1.10

"Sherlock Holmes", eu e minha avó.

Eu assisti a esse filme ontem e curti muito. É um de potencial blockbuster com um toque cult. Não tem muito do rigor dos livros do Sir Conan Doyle. Bom, o próprio diretor, nosso velho conhecido Guy Ritchie, admitiu não ter lido um livro do detetive sequer. No filme, Sherlock Holmes é condecorado com mais alguns papéis, além de detetive com a percepção aguçada presente na memória coletiva: homem apaixonado e, em certas cenas, humorista. Além de um grande lutador. A aposta foi em sociedades secretas e magia negra, assuntos medievais bem em voga atualmente.

Muita ação, tiros e mortes nos lembram a cada segundo do diretor (que, né, quando deixou isso de lado, flopou homericamente em "Swept Away"), mistérios e o raciocínio lógico nos lembram do Sherlock Holmes que conhecemos nos livros de Arthur Conan Doyle ou simplesmente conhecemos por ser uma figura que se inseriu tão fortemente na nossa cultura.

ahazou, Guy

4.1.10

Assassinando Cecília

Eu canto porque o silêncio persiste
e minha vida se completa
sou alegre e sou triste,
não poeta.

16.12.09

Porque seu pai...

"Meu pai"? Até onde eu sei, não escolhi qual espermatozóide carregaria metade de mim. Não escolhi nem pai, nem mãe. Colocar "seu pai" numa conversa não é a melhor maneira de falar sobre qualquer coisa. Tudo não pode convergir para o assunto "seu pai".
Não jogue nas minhas costas a responsabilidade por cada molécula de ar que ele respira. Mais uma vez: eu não escolhi meu pai. Não tenho culpa pelo que ele faz (ou não faz, melhor).
Eu não escolhi o seu marido também.
Não sou eu que errei uma vez e pretendo errar tantas outras vezes possíveis.
Posso ter escolhido tantas outras coisas certas e erradas. Mas não escolhi meu pai. Sem que haja qualquer valor afetivo em "pai" aqui escrito.

10.12.09

Cada qual com sua Quimera

Sob um grande céu cinzento, numa grande planície poeirenta, sem caminhos, sem gramados, sem uma urtiga, encontrei vários homens que andavam curvados.

Cada um deles carregava nas costas uma enorme Quimera1, tão pesada quanto um saco de farinha ou de carvão, ou os apetrechos de um soldado da infantaria romana.

Mas a monstruosa besta não era um peso inerte; pelo contrário, envolvia e oprimia o homem com seus músculos elásticos e possantes; grampeava-se com suas duas vastas garras no peito de sua montaria; e sua cabeça fabulosa sobressaía acima da fronte do homem, como um daqueles capacetes horríveis com os quais os antigos guerreiros esperavam acirrar o terror inimigo.

Interroguei um desses homens, e perguntei-lhe aonde iam assim. Respondeu-me que de nada sabia, nem ele, nem os outros, mas que evidentemente iam a algum lugar, já que eram levados por uma invencível necessidade de andar.

Coisa curiosa de se notar: nenhum dos viajantes parecia irritado com a besta feroz pendurada em seu pescoço e colada em suas costas; dir-se-ia que a considerava como fazendo parte de si mesmo. Todos esses rostos cansados e sérios não demonstravam desespero; sob o céu, com os pés mergulhados na poeira de um solo tão desolado quanto este céu, eles caminhavam com fisionomia resignada daqueles que estão condenados a ter sempre esperança.

E o cortejo passou a meu lado e afundou na atmosfera do horizonte, no lugar em que a superfície arredondada do planeta se esquiva à curiosidade do olhar humano.

E, durante alguns instantes, teimei em querer compreender esse mistério; mas em seguida a irresistível indiferença se abateu sobre mim, e me deixou mais duramente oprimido do que eles próprios por suas esmagadoras Quimeras.

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BAUDELAIRE, Charles. "Cada qual com sua Quimera" in: Pequenos Poemas em Prosa (O Spleen de Paris). São Paulo: Hedra, 2009. p. 47

27.11.09

XIX

Se eu soubesse
Teu nome verdadeiro

Te tomaria
Úmida, tênue

E então descansarias.

Se sussurrares
Teu nome secreto
Nos meus caminhos
Entre a vida e o sono

Te prometo, morte,
A vida de um poeta. A minha:
Palavras vivas, fogo, fonte.

Se me tocares,
Amantíssima, branda
Como fui tocada pelos homens

Ao invés de Morte
Te chamo Poesia
Fogo, Fonte, Palavra viva
Sorte.

(Hilda Hilst. Da morte. Odes mínimas.)

12.11.09

Descrição

"É a sazão outonal, em meio ao carnaval da efêmera duração. Inflama-se o rubor das rosas, a tez de sangue vivo das flores adquire maravilhosa cintilação tísica."

A fome, Knut Hamsun. Trad: Carlos Drummond de Andrade.

10.11.09

Costume makes the clown

And I don't always smell like strawberries and cream

But look at how
I'm taking the make-up off my face
Before I forget who I am now

I'm not here to let you down
But the costume makes the clown
It's just life's anatomy
Don't be so hard
Don't be so hard on this
It's your turn now
Your turn now...
To cheat on me

Shakira - Costume Makes the Clown (in: Oral Fixation vol. 2)
http://www.4shared.com/file/35638096/e1a1056f/10_10_Costume_Makes_the_Clown.html?s=1

6.11.09

Tudo faz sentido agora

"Qualquer pessoa minimamente pedante sabe que o grande segredo da inteligência é cultuar tudo que é incompreensível, fingindo que faz sentido."

Polly in http://tedouumdado.com.br visitado em 06/11/2009 às 21h

31.10.09

This Is It

Eu não chorei. Aquele aperto no peito é mais pesado que o choro. Tinha tudo pra ter um final feliz. É o lembrar tudo que poderia ter sido e que não foi.
O ponto maravilhoso desse documentário é a falta de detalhes pessoais: o diretor tinha como pretensão mostrar, sempre mostrar sem contar, todo o trabalho artístico da turnê e, claro, do próprio Michael. Quem procurou assistir ao filme para ver polêmica e fofocas perdeu tempo e dinheiro. Finalmente alguém conseguiu mostrar o quanto MJ era maior que todos os escândalos, maior que a opinião pública. Era, definitivamente, um músico, um bailarino. Um artista. Sabia exatamente o que estava fazendo. Em termos artísticos, claro.


23.10.09

Do conformismo do homem na sociedade de consumo frankfurtiana ou Viva la Revolución

De sorrir por dentro
iluminam-se os céus;
De chorar por dentro
iluminam-se os céus.

Porquanto o respirar atrai outro respirar
e neste o pensamento em nada influi.
Mas do respirar do pensamento,
do chorar e do sorrir,
iluminam-se os céus
ou devora-os a penumbra em trevas.

22.10.09

Er...

Ok, não tenho o que comentar. Ou é demais para a minha capacidade cognitiva, ou coerência não é o ponto forte desse blog.
via: http://tedouumdado.com.br

13.10.09

Liberdade de andar de bermuda por aí.

Às vezes eu acho que o machismo é tão grande e controlador que até o feminismo, o feminino e o femismo se submetem ao poder gramatical e social do masculino.

8.10.09

Continuidade dos Parques

Começara a ler o romance dias antes. Abandonou-o por negócios urgentes, voltou à leitura quando regressava de trem à fazenda; deixava-se interessar lentamente pela trama, pelo desenho dos personagens. Nessa tarde, depois de escrever uma carta a seu procurador e discutir com o capataz uma questão de parceria, voltou ao livro na tranqüilidade do escritório que dava para o parque de carvalhos. Recostado em sua poltrona favorita, de costas para a porta que o teria incomodado como uma irritante possibilidade de intromissões, deixou que sua mão esquerda acariciasse , de quando em quando, o veludo verde e se pôs a ler os últimos capítulos. Sua memória retinha sem esforço os nomes e as imagens dos protagonistas; a fantasia novelesca absorveu-o quase em seguida. Gozava do prazer meio perverso de se afastar, linha a linha, daquilo que o rodeava, a sentir ao mesmo tempo que sua cabeça descansava comodamente no veludo do alto respaldo, que os cigarros continuavam ao alcance da mão, que além dos janelões dançava o ar do entardecer sob os carvalhos. Palavra por palavra, absorvido pela trágica desunião dos heróis, deixando-se levar pelas imagens que se formavam e adquiriam cor e movimento, foi testemunha do último encontro na cabana do mato. Primeiro entrava a mulher, receosa; agora chegava o amante, a cara ferida pelo chicotaço de um galho. Ela estancava admiravelmente o sangue com seus beijos, mas ele recusava as carícias, não viera para repetir as cerimônias de uma paixão secreta, protegida por um mundo de folhas secas e caminhos furtivos, o punhal ficava morno junto a seu peito, e debaixo batia a liberdade escondida. Um diálogo envolvente corria pelas páginas como um riacho de serpentes, e sentia-se que tudo estava decidido desde o começo. Mesmo essas carícias que envolviam o corpo do amante, como que desejando retê-lo e dissuadi-lo, desenhavam desagradavelmente a figura de outro corpo que era necessário destruir. Nada fora esquecido: impedimentos, azares, possíveis erros. A partir dessa hora, cada instante tinha seu emprego minuciosamente atribuído. O reexame cruel mal se interrompia para que a mão de um acariciasse a face do outro. Começava a anoitecer.

Já sem olhar, ligados firmemente á tarefa que os aguardava, separaram-se na porta da cabana. Ela devia continuar pelo caminho que ia ao Norte. Do caminho oposto, ele se voltou um instante para vê-la correr com o cabelo solto. Correu por sua vez, esquivando-se de árvores e cercas, até distinguir na rósea bruma do crepúsculo a alameda que o levaria à casa. Os cachorros não deviam latir e não latiram. O capataz não estaria àquela hora, e não estava. Pelo sangue galopando em seus ouvidos chegavam-lhe as palavras da mulher: primeiro uma sala azul, depois uma varanda, uma escadaria atapetada. No alto, duas portas. Ninguém no primeiro quarto, ninguém no segundo. A porta do salão, e então o punhal na mão, a luz dos janelões, o alto respaldo de uma poltrona de veludo verde, a cabeça do homem na poltrona lendo um romance.

CORTAZAR, Julio. Final do jogo.
Trad. Remy Gorja Filho.
Rio de Janeiro, Ed. Expressão e Cultura, 1971.

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(Não, eu ainda não consegui superar...)

29.9.09

Memento mori

Eat
drink
and be merry

For tomorrow you may be
dead.

http://www.4shared.com/file/136363645/252be353/11_MEMENTO_MORI.html

(The Bastard Fairies)

28.9.09

Aula Final

Sacou da mochila puída a arma mortal. Sete balas atigiram-o marcando a carne em arranhões, cortes secos e ensanguentados. A dor infligida ardia no outro, o fogo desconhecido e indomável do Eu tocando com as pontas dos dedos avermelhadas o Eu-outro, negação complementar do Eu-eu.
Ciente, a partir de agora, do não-indivíduoelementar conjunto ao universo irresistivelmente irrestrito, guardou as páginas cortantes manchadas do sangue metafísico.

18.9.09

Sonhos

SEGISMUNDO:
Es verdad; pues reprimamos
esta fiera condición,
esta furia, esta ambición
por si alguna vez soñamos.
Y sí haremos, pues estamos
en mundo tan singular,
que el vivir sólo es soñar;
y la experiencia me enseña
que el hombre que vive sueña
lo que es hasta despertar.
Sueña el rey que es rey, y vive
con este engaño mandando,
disponiendo y gobernando;
y este aplauso que recibe
prestado, en el viento escribe,
y en cenizas le convierte
la muerte (¡desdicha fuerte!);
¡que hay quien intente reinar,
viendo que ha de despertar
en el sueño de la muerte!
Sueña el rico en su riqueza
que más cuidados le ofrece;
sueña el pobre que padece
su miseria y su pobreza;
sueña el que a medrar empieza,
sueña el que afana y pretende,
sueña el que agravia y ofende;
y en el mundo, en conclusión,
todos sueñan lo que son,
aunque ninguno lo entiende.
Yo sueño que estoy aquí
destas prisiones cargado,
y soñé que en otro estado
más lisonjero me vi.
¿Qué es la vida? Un frenesí.
¿Qué es la vida? Una ilusión,
una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño;
que toda la vida es sueño,
y los sueños, sueños son.

("La vida es sueño", Pedro Calderón de La Barca)

6.9.09

Block

Nem ligo. Não faz diferença. Nunca me importei. Não mesmo. Nunquinha. Como se fosse me afetar... Como se eu não soubesse...

- Uma mentira contada muitas, diversas, infinitas, milhares, milhões de vezes torna-se uma verdade.

Nem sempre.