Não que fosse um sonho de infância. Queria ser bombeiro. A pintura surgiu ocasionalmente, em um anúncio no jornal do governo. A arte nunca me havia inspirado admiração, nem ao menos desprezo. Eu entendo, hoje, sua essência.
A carteira é assinada, e o pagamento, insignificante. No entanto a obra, ah...a obra!, esta permanece viva nos destinos e nos caminhos do passante. Em meio à selva de concreto, as luzes piscam freneticamente como guias a apresentar as telas e esculturas de um museu. E os mais velozes param, diariamente, estarrecidos, a observar a arte ante seus olhos.
A obra não é original, é o pós-moderno: nós a resgatamos, dia após dia, universalmente. A Vida, então, vem, invade violentamente os espaços, e o Tempo, sempre soprando, tenta apagar a História. Sou chamado, então a renovo, as cores, os traços, tudo...É a primeira vez. Novamente.
E aquele contraste...! É o grande Tratado da Civilização. O fruto das Revoluções. Da Inglesa, da Francesa, da Industrial. A Amante Futurista, velocidade e progresso. O Positivismo impresso a tinta, em linhas, ordem e progresso. A arte urbana, concisa, precisa, nunca reconhecida, sem prêmios ou menções honrosas. Pintura marginal, expressão de uma cultura civilizada. Exclusão.
Em letras, apenas um conselho amigável: “OLHE”. E então podes atravessar a faixa de pedestres.
(6º lugar no concurso de literatura, sabe lá Deus porque. Eu classificaria como alguma coisa entre péssimo e Paulo Coelho.)