22.4.09

Tânat[-Er]os

Se se morre de amor! - Não, não se morre
Se morre, antes, dos dias,
de enfarto, hemorragia,
DST, cirrose hepática,
tuberculose, malária,
desnutrição cancerígena,
o mal do século, bala perdida.

Se se morre de amor! - Não, não se morre
Se morre, antes, da vida:
da morte,
anunciada.

18.4.09

3.4.09

[sem título]

Voava o Condor dizendo
"Melhor era o céu anil
Lá da terra do meu sangue"
Lá palmeiras (mais de mil)
Verdejavam os jardins
Que não via no Brasil

Sabiá olhava torto
Para o pássaro estrangeiro
Queria contar-lhe toda
História do brasileiro,
Desde os antigos indígenas
Que estavam aqui primeiro.

"Ano de 1500
Chegaram as caravelas
E todos os portugueses.
Nossas matas, de tão belas,
Invadidas pelo branco
Hoje não há nada delas.

São Vicente foi fundada:
O princípio da minha terra.
Terra fria e sem cana,
Pr'o progresso a espera.
O regente no Brasil
Descobriu a roxa serra.

Desde então se vê riqueza
Na tal vila rejeitada.
Desigual, nossa cidade
De miséria é cercada,
A São Paulo da garoa
Hoje vive de enxurrada.

Do progresso do café,
Das bandeiras, os primores:
Nossas ruas têm mais gente,
Nosso céu não tem mais cores,
Nossas noites têm mais tiros,
Na Augusta, mais amores."

Sabiá o tendo dito,
Alçou voo, foi pr'exílio.


Trabalho de Literatura do ano passado >D

21.3.09

Desenterrando

Já estamos quase no fim de março, e o que eu fiz até agora? Nada. Quer dizer, um pouco mais que nada. Mas sempre é bom generalizar. Ou não. Então o tempo vai passando, e a gente vai correndo. Correndo cada vez mais rápido em direção à morte, por mais clichê que isso possa parecer, ou ser. Alguns chegam logo, como é o caso do Julião. Outros não. Por enquanto. É como se a vida fosse um signo: um só existe delimitado por outro. Mas eu não estou apta a discorrer sobre o que eu não entendo: vida, morte e Linguística.

28.2.09

É para lá que eu vou

Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou.

À ponta do lápis o traço.

Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou.

Na ponta dos pés o salto.

Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou.

Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. E para lá que eu vou.

Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra “tertúlia” e não sei aonde e quando. À beira da tertúlia está a família. À beira da família estou eu. À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio.

Não sei sobre o que estou falando. Estou falando de nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome.

É para o meu pobre nome que vou.

E de lá volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos. Eles me responderão. Enfim terei uma resposta. Que resposta? a do amor. Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.

À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo.

Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto.

Oh, cachorro, cadê tua alma? está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo. E feneço lentamente.

Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.

Clarice Lispector
in “Onde estivestes de noite” - 7ª Ed.
Ed. Francisco Alves - Rio de Janeiro - 1994

19.2.09

Documentação

Platonismos, petrarquismos, camonismos.
Usando uma palavra grega "hipopótamo" acima das concepções de verdade museológicas de opinião e epistemopoucomeimporta. Explorar, conservar, proteger, moça, onde é a saída?

4.2.09

euri/

O estudante perfeito, que não desconfiava que era um chato, pensou: qual era a palavra mais difícil que existia? Qual era? Uma que significava adornos, enfeites, atavios? Ah, sim, gregotins. Decorou a palavra para escrevê-la na próxima prova.

(Clarice Lispector, "Onde estivestes de noite")

28.1.09

Misantropia natural

Os ossinhos miúdos tirintam nas mãos, penugem cinzenta, soro salgado de lágrimas e vida que escorre e escapa da agulha, subcutânea salvação. Marca do asfalto cru e inchado saltando da órbita, fundo ao globo, sentidos cortados, queimados curtos sonoros apenas. Fino e agudo clama por tudo ao nada em trépido frêmito. Pureza de alma aquecido por fim ao palpitar do coração ressoa ressona em cegos sonhos.

24.1.09

Bur-legis-lar ou O Processo

Segundo-consta
Artigo n+2
Parágrafo n-1+7n²
Item n!p-2^k
et coetera
et coetera etc.

Segundo-consta
Olhos já não choram

Segundo-consta
Grito não é mudo

Segundo-consta
somoslivres, somoslivros-carta-arquivamento

Segundo-consta
Temosletra-leite-leito

Segundo-consta
Todos-constam.

alo vosse

tenço. hagora eu tenho hum meis pra iscrever de tudu "herrado". reforma ortografika, aham. ah e si eu fikar xata e pedanti, favor me ispancaren, beigos.
modei o nome do blogui. ben mas loki que "existencialirismo".
(nota: pará de moodar o nomi do blogui há cada sês mezes.)

17.1.09

Blindagem

Você está muito bem agora que blindou seu carro. Vejo como você dirije com tranquilidade e firmeza, respeita as faixas, compreende os outros motoristas em suas decisões imediatas. Você para suavemente. Devo te dizer que você está sereno como se estivesse em casa, oferecendo um jantar às pessoas de sua confiança. Você está ótimo! Cara, você realmente está em seu elemento! Esse ar condicionado... esse rádio vazando bossa nova... Você está tranquilíssimo! Parabéns! Não posso deixar de notar que você está assim... e te dizer, é claro! Puxa, como você está bem dentro dessa blindagem!

(Fernando Bonassi, São Paulo/Brasil)

16.1.09

existenciaQUE?

Como o nome desse blog é horrível, pedante, pseudo-intelectual e idiota. Sugestões?

13.1.09

109 kcal

Esticou uma perna, depois outra. Virou-se de bruços. Tentou, não conseguiu. Levantou-se. Desceu até a cozinha. Passou manteiga na cream-cracker, muita manteiga. Gostava quando a matéria amarelada e gordurenta se esvaia pelos furinhos da bolacha.

11.1.09

Reforma ortográfica


Diario de Pernambuco, 08/01/09

6.1.09

Oi-e

Então que acabou a segunda fase e nada de vestibular certamente por um ano e espero que por mais alguns. A sensação de ter terminado as provas deve ser melhor que a de passar *-*
Anyway, eu 'tô na vibe da mendicância: alguém quer me dar óculos iguais aos da Madonna na Sticky & Sweet e da Lolita no cartaz do filme do Kubrick? :D Só oito dólares.


27.12.08

Dois mil e nove.

'xá só passar o vestibular qu'eu dou um jeito nesse layout horrível. É isso.

24.12.08

No mármore de tua bunda

No mármore de tua bunda gravei o meu epitáfio.
Agora que nos separamos, minha morte já não me pertence.
Tu a levaste contigo.

Carlos Drummond de Andrade, Amor Natural

21.12.08

Give it up, São Paulo!

NUNCA uma espera de quatro anos valeu tanto a pena (se cabe aqui uma piada-de-gente-idiota, valeu a galinha toda, sem qualquer referência).

-my sugar is raw!

19.12.08

tinta-na-cabeça

porque até o azul do céu se renova.

cores cores cores

cores cores cores!
heh.