
25.6.09
Cause this is thriller night
And no one saved you from the beast that was about to strike. Meu mundo purpurinado ficou um pouco menos reluzente-brilhoso.


21.6.09
14.6.09
Tw1tt4' :0 [2]
Machado de Assis - tinha o sarcasmo como segunda língua. A primeira era sintoma de esquizofrenia. #140
Aquiles chorou. Por doze dias, trégua em respeito ao morto e família. Não se fazem mais assassinos como antigamente. #140
Aquiles chorou. Por doze dias, trégua em respeito ao morto e família. Não se fazem mais assassinos como antigamente. #140
12.6.09
Telefonia fática
-Alô
-Moshi moshi. Alô.
...
-Alô?
-Alô.
-Haruki-san.
...
-Alô?
-Alô.
-Casa de Haruki-san?
...
-Não.
-Obrigado.
-Moshi moshi. Alô.
...
-Alô?
-Alô.
-Haruki-san.
...
-Alô?
-Alô.
-Casa de Haruki-san?
...
-Não.
-Obrigado.
10.6.09
Aula inaugural
É verdade que na Ilíada não havia tantos heróis como na guerra
E todos os seus gestos eram ritmados como num balé
Pela cadência dos metros homéricos.
Fora do ritmo, só há danação.
Fora da poesia, não há salvação.
A poesia é dança e a dança é alegria.
Dança, pois, teu desespero, dança
Tua miséria, teus arrebatamentos,
Teus júbilos
E,
Mesmo que temas imensamente a Deus,
Dança como David diante da Arca da Aliança.
Mesmo que temas imensamente a morte
Dança diante de tua cova.
Tece coroas de rimas…
Enquanto o poema não termina
A rima é como uma esperança
Que eternamente se renova.
A canção, a simples canção, é uma luz dentro da noite.
(Sabem todas as almas perdidas…)
O solene canto é um archote nas trevas.
(Sabem todas as almas perdidas…)
Dança, encantado dominador de monstros,
Tirano das esfinges,
Dança, Poeta.
E sob o aéreo, o implacável, o irresistível ritmo de teus pés,
Deixa rugir o Caos atônito…
[do Paraguai…
Mas eram bem falantesE todos os seus gestos eram ritmados como num balé
Pela cadência dos metros homéricos.
Fora do ritmo, só há danação.
Fora da poesia, não há salvação.
A poesia é dança e a dança é alegria.
Dança, pois, teu desespero, dança
Tua miséria, teus arrebatamentos,
Teus júbilos
E,
Mesmo que temas imensamente a Deus,
Dança como David diante da Arca da Aliança.
Mesmo que temas imensamente a morte
Dança diante de tua cova.
Tece coroas de rimas…
Enquanto o poema não termina
A rima é como uma esperança
Que eternamente se renova.
A canção, a simples canção, é uma luz dentro da noite.
(Sabem todas as almas perdidas…)
O solene canto é um archote nas trevas.
(Sabem todas as almas perdidas…)
Dança, encantado dominador de monstros,
Tirano das esfinges,
Dança, Poeta.
E sob o aéreo, o implacável, o irresistível ritmo de teus pés,
Deixa rugir o Caos atônito…
(Mario Quintana)
8.6.09
Não por isso...
Adoro escrotisse alheia e auto-apreciação. Mentira. É só engraçado mesmo.
Isso me lembra outra coisa: como minha irmã consegue ser tão igual ao meu pai? Acho que o ódio aflora a partir disso. Não das constatações, mas dos resultados.
Isso me lembra outra coisa: como minha irmã consegue ser tão igual ao meu pai? Acho que o ódio aflora a partir disso. Não das constatações, mas dos resultados.
28.5.09
A vaca voadora
Muahaha era uma vaca marrom. Uma vaca normal. Nariz de vaca. Boca de vaca. Olho de vaca. Orelha de vaca. Patas de vaca. Asas de avestruz. Seria uma vaca normal, se não tivesse as asas de avestruz. Vivia no pasto, sempre visitava o galinheiro de avestruz. Era uma pobre aberração. Ninguém gostava dela. Podemos dizer que Muahaha era solitária. Só conseguia falar com os cachorros. O único idioma que ela falava era o latido.
Cãin era o melhor amigo de Muahaha. Ele entendia exatamente como era ser uma aberração. Cãin tinha orelhas de coelho. Diferente de Muahaha, Cãin sabia latido, vaquês, avestruzeiro, além de árabe, hebraico, grego, alemão, mandarim e francês.
-Eu quero me livrar dessas malditas e empenadas asas! - Disse Muahaha para o cachorro naquele último dia do oitavo mês do ano.
-Bom, suas asas são melhores que minhas orelhas felizes.
-Você ouve melhor com as orelhas.
-E você pode voar! - Respondeu Cãin.
-Não posso, não. - Disse Muahaha quase chorando - As asas de avestruz não são voantes.
-Que pena.
Cãin era o melhor amigo de Muahaha. Ele entendia exatamente como era ser uma aberração. Cãin tinha orelhas de coelho. Diferente de Muahaha, Cãin sabia latido, vaquês, avestruzeiro, além de árabe, hebraico, grego, alemão, mandarim e francês.
-Eu quero me livrar dessas malditas e empenadas asas! - Disse Muahaha para o cachorro naquele último dia do oitavo mês do ano.
-Bom, suas asas são melhores que minhas orelhas felizes.
-Você ouve melhor com as orelhas.
-E você pode voar! - Respondeu Cãin.
-Não posso, não. - Disse Muahaha quase chorando - As asas de avestruz não são voantes.
-Que pena.
.-. Como eu era perturbada com 12 anos...
16.5.09
sexta-sábado-domingo
Eu poderia escrever um ensaio gigante sobre o quanto eu odeio fins de semana. Juro. E sobre o quanto minha irmã me irrita. (E nem venham com essas hipocrisias ae de falar que sempre quis ter um irmão, porque "seria uma companhia". Quer companhia "pega o metrô na Sé às 18h" de uma quinta-feira, já dizia o grande mestre Lobinho.)
15.5.09
tw1tt4' :O
Bastava agora livrar-se do corpo, quente e pulsante, se não morto. Ao pé do altar da igreja abandonada: enterrou o pai e tomou a benção.#140
14.5.09
22.4.09
Tânat[-Er]os
Se se morre de amor! - Não, não se morre
Se morre, antes, dos dias,
de enfarto, hemorragia,
DST, cirrose hepática,
tuberculose, malária,
desnutrição cancerígena,
o mal do século, bala perdida.
Se se morre de amor! - Não, não se morre
Se morre, antes, da vida:
Se morre, antes, dos dias,
de enfarto, hemorragia,
DST, cirrose hepática,
tuberculose, malária,
desnutrição cancerígena,
o mal do século, bala perdida.
Se se morre de amor! - Não, não se morre
Se morre, antes, da vida:
da morte,
anunciada.
18.4.09
3.4.09
[sem título]
Voava o Condor dizendo
"Melhor era o céu anil
Lá da terra do meu sangue"
Lá palmeiras (mais de mil)
Verdejavam os jardins
Que não via no Brasil
Sabiá olhava torto
Para o pássaro estrangeiro
Queria contar-lhe toda
História do brasileiro,
Desde os antigos indígenas
Que estavam aqui primeiro.
"Ano de 1500
Chegaram as caravelas
E todos os portugueses.
Nossas matas, de tão belas,
Invadidas pelo branco
Hoje não há nada delas.
São Vicente foi fundada:
O princípio da minha terra.
Terra fria e sem cana,
Pr'o progresso a espera.
O regente no Brasil
Descobriu a roxa serra.
Desde então se vê riqueza
Na tal vila rejeitada.
Desigual, nossa cidade
De miséria é cercada,
A São Paulo da garoa
Hoje vive de enxurrada.
Do progresso do café,
Das bandeiras, os primores:
Nossas ruas têm mais gente,
Nosso céu não tem mais cores,
Nossas noites têm mais tiros,
Na Augusta, mais amores."
Sabiá o tendo dito,
Alçou voo, foi pr'exílio.
Trabalho de Literatura do ano passado >D
"Melhor era o céu anil
Lá da terra do meu sangue"
Lá palmeiras (mais de mil)
Verdejavam os jardins
Que não via no Brasil
Sabiá olhava torto
Para o pássaro estrangeiro
Queria contar-lhe toda
História do brasileiro,
Desde os antigos indígenas
Que estavam aqui primeiro.
"Ano de 1500
Chegaram as caravelas
E todos os portugueses.
Nossas matas, de tão belas,
Invadidas pelo branco
Hoje não há nada delas.
São Vicente foi fundada:
O princípio da minha terra.
Terra fria e sem cana,
Pr'o progresso a espera.
O regente no Brasil
Descobriu a roxa serra.
Desde então se vê riqueza
Na tal vila rejeitada.
Desigual, nossa cidade
De miséria é cercada,
A São Paulo da garoa
Hoje vive de enxurrada.
Do progresso do café,
Das bandeiras, os primores:
Nossas ruas têm mais gente,
Nosso céu não tem mais cores,
Nossas noites têm mais tiros,
Na Augusta, mais amores."
Sabiá o tendo dito,
Alçou voo, foi pr'exílio.
Trabalho de Literatura do ano passado >D
21.3.09
Desenterrando
Já estamos quase no fim de março, e o que eu fiz até agora? Nada. Quer dizer, um pouco mais que nada. Mas sempre é bom generalizar. Ou não. Então o tempo vai passando, e a gente vai correndo. Correndo cada vez mais rápido em direção à morte, por mais clichê que isso possa parecer, ou ser. Alguns chegam logo, como é o caso do Julião. Outros não. Por enquanto. É como se a vida fosse um signo: um só existe delimitado por outro. Mas eu não estou apta a discorrer sobre o que eu não entendo: vida, morte e Linguística.
28.2.09
É para lá que eu vou
Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou.
À ponta do lápis o traço.
Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou.
Na ponta dos pés o salto.
Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou.
Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. E para lá que eu vou.
Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra “tertúlia” e não sei aonde e quando. À beira da tertúlia está a família. À beira da família estou eu. À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio.
Não sei sobre o que estou falando. Estou falando de nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome.
É para o meu pobre nome que vou.
E de lá volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos. Eles me responderão. Enfim terei uma resposta. Que resposta? a do amor. Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.
À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo.
Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto.
Oh, cachorro, cadê tua alma? está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo. E feneço lentamente.
Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.
À ponta do lápis o traço.
Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou.
Na ponta dos pés o salto.
Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou.
Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. E para lá que eu vou.
Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra “tertúlia” e não sei aonde e quando. À beira da tertúlia está a família. À beira da família estou eu. À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio.
Não sei sobre o que estou falando. Estou falando de nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome.
É para o meu pobre nome que vou.
E de lá volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos. Eles me responderão. Enfim terei uma resposta. Que resposta? a do amor. Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.
À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo.
Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto.
Oh, cachorro, cadê tua alma? está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo. E feneço lentamente.
Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.
Clarice Lispector
in “Onde estivestes de noite” - 7ª Ed.
Ed. Francisco Alves - Rio de Janeiro - 1994
in “Onde estivestes de noite” - 7ª Ed.
Ed. Francisco Alves - Rio de Janeiro - 1994
19.2.09
Documentação
Platonismos, petrarquismos, camonismos.
Usando uma palavra grega "hipopótamo" acima das concepções de verdade museológicas de opinião e epistemopoucomeimporta. Explorar, conservar, proteger, moça, onde é a saída?
Usando uma palavra grega "hipopótamo" acima das concepções de verdade museológicas de opinião e epistemopoucomeimporta. Explorar, conservar, proteger, moça, onde é a saída?
4.2.09
euri/
O estudante perfeito, que não desconfiava que era um chato, pensou: qual era a palavra mais difícil que existia? Qual era? Uma que significava adornos, enfeites, atavios? Ah, sim, gregotins. Decorou a palavra para escrevê-la na próxima prova.
(Clarice Lispector, "Onde estivestes de noite")
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