23.10.09

Do conformismo do homem na sociedade de consumo frankfurtiana ou Viva la Revolución

De sorrir por dentro
iluminam-se os céus;
De chorar por dentro
iluminam-se os céus.

Porquanto o respirar atrai outro respirar
e neste o pensamento em nada influi.
Mas do respirar do pensamento,
do chorar e do sorrir,
iluminam-se os céus
ou devora-os a penumbra em trevas.

22.10.09

Er...

Ok, não tenho o que comentar. Ou é demais para a minha capacidade cognitiva, ou coerência não é o ponto forte desse blog.
via: http://tedouumdado.com.br

13.10.09

Liberdade de andar de bermuda por aí.

Às vezes eu acho que o machismo é tão grande e controlador que até o feminismo, o feminino e o femismo se submetem ao poder gramatical e social do masculino.

8.10.09

Continuidade dos Parques

Começara a ler o romance dias antes. Abandonou-o por negócios urgentes, voltou à leitura quando regressava de trem à fazenda; deixava-se interessar lentamente pela trama, pelo desenho dos personagens. Nessa tarde, depois de escrever uma carta a seu procurador e discutir com o capataz uma questão de parceria, voltou ao livro na tranqüilidade do escritório que dava para o parque de carvalhos. Recostado em sua poltrona favorita, de costas para a porta que o teria incomodado como uma irritante possibilidade de intromissões, deixou que sua mão esquerda acariciasse , de quando em quando, o veludo verde e se pôs a ler os últimos capítulos. Sua memória retinha sem esforço os nomes e as imagens dos protagonistas; a fantasia novelesca absorveu-o quase em seguida. Gozava do prazer meio perverso de se afastar, linha a linha, daquilo que o rodeava, a sentir ao mesmo tempo que sua cabeça descansava comodamente no veludo do alto respaldo, que os cigarros continuavam ao alcance da mão, que além dos janelões dançava o ar do entardecer sob os carvalhos. Palavra por palavra, absorvido pela trágica desunião dos heróis, deixando-se levar pelas imagens que se formavam e adquiriam cor e movimento, foi testemunha do último encontro na cabana do mato. Primeiro entrava a mulher, receosa; agora chegava o amante, a cara ferida pelo chicotaço de um galho. Ela estancava admiravelmente o sangue com seus beijos, mas ele recusava as carícias, não viera para repetir as cerimônias de uma paixão secreta, protegida por um mundo de folhas secas e caminhos furtivos, o punhal ficava morno junto a seu peito, e debaixo batia a liberdade escondida. Um diálogo envolvente corria pelas páginas como um riacho de serpentes, e sentia-se que tudo estava decidido desde o começo. Mesmo essas carícias que envolviam o corpo do amante, como que desejando retê-lo e dissuadi-lo, desenhavam desagradavelmente a figura de outro corpo que era necessário destruir. Nada fora esquecido: impedimentos, azares, possíveis erros. A partir dessa hora, cada instante tinha seu emprego minuciosamente atribuído. O reexame cruel mal se interrompia para que a mão de um acariciasse a face do outro. Começava a anoitecer.

Já sem olhar, ligados firmemente á tarefa que os aguardava, separaram-se na porta da cabana. Ela devia continuar pelo caminho que ia ao Norte. Do caminho oposto, ele se voltou um instante para vê-la correr com o cabelo solto. Correu por sua vez, esquivando-se de árvores e cercas, até distinguir na rósea bruma do crepúsculo a alameda que o levaria à casa. Os cachorros não deviam latir e não latiram. O capataz não estaria àquela hora, e não estava. Pelo sangue galopando em seus ouvidos chegavam-lhe as palavras da mulher: primeiro uma sala azul, depois uma varanda, uma escadaria atapetada. No alto, duas portas. Ninguém no primeiro quarto, ninguém no segundo. A porta do salão, e então o punhal na mão, a luz dos janelões, o alto respaldo de uma poltrona de veludo verde, a cabeça do homem na poltrona lendo um romance.

CORTAZAR, Julio. Final do jogo.
Trad. Remy Gorja Filho.
Rio de Janeiro, Ed. Expressão e Cultura, 1971.

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(Não, eu ainda não consegui superar...)

29.9.09

Memento mori

Eat
drink
and be merry

For tomorrow you may be
dead.

http://www.4shared.com/file/136363645/252be353/11_MEMENTO_MORI.html

(The Bastard Fairies)

28.9.09

Aula Final

Sacou da mochila puída a arma mortal. Sete balas atigiram-o marcando a carne em arranhões, cortes secos e ensanguentados. A dor infligida ardia no outro, o fogo desconhecido e indomável do Eu tocando com as pontas dos dedos avermelhadas o Eu-outro, negação complementar do Eu-eu.
Ciente, a partir de agora, do não-indivíduoelementar conjunto ao universo irresistivelmente irrestrito, guardou as páginas cortantes manchadas do sangue metafísico.

18.9.09

Sonhos

SEGISMUNDO:
Es verdad; pues reprimamos
esta fiera condición,
esta furia, esta ambición
por si alguna vez soñamos.
Y sí haremos, pues estamos
en mundo tan singular,
que el vivir sólo es soñar;
y la experiencia me enseña
que el hombre que vive sueña
lo que es hasta despertar.
Sueña el rey que es rey, y vive
con este engaño mandando,
disponiendo y gobernando;
y este aplauso que recibe
prestado, en el viento escribe,
y en cenizas le convierte
la muerte (¡desdicha fuerte!);
¡que hay quien intente reinar,
viendo que ha de despertar
en el sueño de la muerte!
Sueña el rico en su riqueza
que más cuidados le ofrece;
sueña el pobre que padece
su miseria y su pobreza;
sueña el que a medrar empieza,
sueña el que afana y pretende,
sueña el que agravia y ofende;
y en el mundo, en conclusión,
todos sueñan lo que son,
aunque ninguno lo entiende.
Yo sueño que estoy aquí
destas prisiones cargado,
y soñé que en otro estado
más lisonjero me vi.
¿Qué es la vida? Un frenesí.
¿Qué es la vida? Una ilusión,
una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño;
que toda la vida es sueño,
y los sueños, sueños son.

("La vida es sueño", Pedro Calderón de La Barca)

6.9.09

Block

Nem ligo. Não faz diferença. Nunca me importei. Não mesmo. Nunquinha. Como se fosse me afetar... Como se eu não soubesse...

- Uma mentira contada muitas, diversas, infinitas, milhares, milhões de vezes torna-se uma verdade.

Nem sempre.

30.7.09

Tédio

Horas em que um espírito artístico o embala. O ócio pode, enfim, torná-lo e tornar-se criativo. E pela última vez um bloqueio, a aversão (talvez ao que é produtivo e que por fim se revelará pouco útil). Ou o medo, puramente. Medo do incompreensível, do indelével e da criatura. Ou a simples carência da criação em um mundo reativo que joga ao seu curriculum a proatividade com tanta segurança de um aperto de mãos firmemente ilusionista como se fosse puxar de seus bolsos um coelho fofucho como de espuma e azul, o diferencial tão buscado do -sejaproativo.
O espírito artístico mais uma vez embala um processo estático que se debate de um lado a outro numa jaula de resistência em busca de um novo processo de livramento. Extático dessa vez.

28.7.09

S. Petersburgo e Leningrado

Comunistas says:
Aqui não pode mexer a bunda de um lado para o outro, vestir-se com frivolidade, dançar numa barra, saudar alegremente as lésbicas. É preciso se vestir com recato, cantar de forma melódica e lembrar as regras morais.


Deve ser conservadorismo tradicionalista pós-gripe suína, não?

21.7.09

Rondó do Cavalo Manco

Minha terra tem Palmas-TO
Onde canta a banda Calypso.
...
Calypsooooooooou!

(Marian featuring Maitê in IEL1 - A angústia)

11.7.09

We're off

Siga a estrada de tijolos amarelos. Siga a estrada de tijolos amarelos.
Siga, siga, siga, siga,
Siga a estrada de tijolos amarelos.
Siga a estrada de tijolos, siga a estrada de tijolos,
Siga a estrada de tijolos amarelos.

Estamos indo ver o mágico, o maravilhoso mágico de Oz
Você descobrirá que ele é o mais sábio entre os sábios! Se é que já houve um sábio algum dia! Se é que realmente houve um sábio algum dia!
O mágico de Oz é único por causa,
por causa, por causa, por causa, por causa, por causa
por causa das coisas maravilhosas que ele faz.

10.7.09

sexta-feira variática chuvosa

é, nós temos coiso ao contrário.
ou vocês têm coisa ao contrário.

e vice-versa.
ou o oposto disso tudo.
só que ao contrário.

9.7.09

Sono

iu onli ci uatior ais uantchuci
rau quen laife bi uatchuanitchubi
iôr frozen uen ior rart is noropen

iôr sou consumed uif rau mãtchi iu guéti
iu ueisti iór taime uif reitchenruigréti
iôr frozen uen ior rart is noropen

mmmmmmmmmmmmm mmmmmmm mmmmmmm mmmmmm

ifai cud mélti iór rart

mmmmmmmmmmmmm mmmmmmm mmmmmmm mmmmmm

uinever bi apart

mmmmmmmmmmmmm mmmmmmm mmmmmmm mmmmmm

guiviorself tchu mi

mmmmmmmmmmmmm mmmmmmm mmmmmmm mmmmmm

iu...rold...dequi

5.7.09

mer girl

and the ground gave way beneath my feet
the earth took me in her arms
leaves covered my face
ants marched across my back
the black sky opened up
blinding me

I ran to the forest
I ran to the trees
I ran and I ran
I was looking for me

and I smelled her burning flesh
her rotting bones
her decay

I ran and I ran
I'm still running away

(madonna. ray of light, #13)

30.6.09

Cor[r]es criançamente

Comprei giz de cera
pra desenhar no muro estrelado
kolodyamente estrela,

e aquele olho-único me verdeamente observa
soprando entredentes tire o negro do corvo;

e muita cola bastão
dez gramas sem toxinas
-perdão pela rima-
para colar meu coração
em pasta catálogo, cinquenta plásticos-folha.

29.6.09

27.6.09

Expiração

Inspira...
...Expira...
...Inspira...
___________
Nossa!
que vontade mágica de comer cogumelos.

Cogumelo says:
Oi.

25.6.09

Cause this is thriller night

And no one saved you from the beast that was about to strike. Meu mundo purpurinado ficou um pouco menos reluzente-brilhoso.


RIP Michael Jackson
(29.08.58 - 25.06.09)

Coisa velha



21.6.09

Xis Dê

XD
o que significa XD
é uma carinha
rindo
sabe, rindo tanto que até fecha os olhos
X esses são os olhos fechados
D esse é o riso
XD

Aforismo

Conocí un hombre interesante: no tenía principios.
Un hombre, un verdadero hombre, no tiene principio ni fin. Como Dios.
(Vicente Huidobro)

14.6.09

Tw1tt4' :0 [2]

Machado de Assis - tinha o sarcasmo como segunda língua. A primeira era sintoma de esquizofrenia. #140

Aquiles chorou. Por doze dias, trégua em respeito ao morto e família. Não se fazem mais assassinos como antigamente. #140

12.6.09

Telefonia fática

-Alô
-Moshi moshi. Alô.
...
-Alô?
-Alô.
-Haruki-san.
...
-Alô?
-Alô.
-Casa de Haruki-san?
...
-Não.
-Obrigado.

10.6.09

30 anos mais tarde.

Aula inaugural

É verdade que na Ilíada não havia tantos heróis como na guerra
[do Paraguai…
Mas eram bem falantes
E todos os seus gestos eram ritmados como num balé
Pela cadência dos metros homéricos.
Fora do ritmo, só há danação.
Fora da poesia, não há salvação.
A poesia é dança e a dança é alegria.
Dança, pois, teu desespero, dança
Tua miséria, teus arrebatamentos,
Teus júbilos
E,
Mesmo que temas imensamente a Deus,
Dança como David diante da Arca da Aliança.
Mesmo que temas imensamente a morte
Dança diante de tua cova.
Tece coroas de rimas…
Enquanto o poema não termina
A rima é como uma esperança
Que eternamente se renova.
A canção, a simples canção, é uma luz dentro da noite.
(Sabem todas as almas perdidas…)
O solene canto é um archote nas trevas.
(Sabem todas as almas perdidas…)
Dança, encantado dominador de monstros,
Tirano das esfinges,
Dança, Poeta.
E sob o aéreo, o implacável, o irresistível ritmo de teus pés,
Deixa rugir o Caos atônito…
(Mario Quintana)

8.6.09

Não por isso...

Adoro escrotisse alheia e auto-apreciação. Mentira. É só engraçado mesmo.
Isso me lembra outra coisa: como minha irmã consegue ser tão igual ao meu pai? Acho que o ódio aflora a partir disso. Não das constatações, mas dos resultados.

28.5.09

A vaca voadora

Muahaha era uma vaca marrom. Uma vaca normal. Nariz de vaca. Boca de vaca. Olho de vaca. Orelha de vaca. Patas de vaca. Asas de avestruz. Seria uma vaca normal, se não tivesse as asas de avestruz. Vivia no pasto, sempre visitava o galinheiro de avestruz. Era uma pobre aberração. Ninguém gostava dela. Podemos dizer que Muahaha era solitária. Só conseguia falar com os cachorros. O único idioma que ela falava era o latido.

Cãin era o melhor amigo de Muahaha. Ele entendia exatamente como era ser uma aberração. Cãin tinha orelhas de coelho. Diferente de Muahaha, Cãin sabia latido, vaquês, avestruzeiro, além de árabe, hebraico, grego, alemão, mandarim e francês.

-Eu quero me livrar dessas malditas e empenadas asas! - Disse Muahaha para o cachorro naquele último dia do oitavo mês do ano.

-Bom, suas asas são melhores que minhas orelhas felizes.

-Você ouve melhor com as orelhas.

-E você pode voar! - Respondeu Cãin.

-Não posso, não. - Disse Muahaha quase chorando - As asas de avestruz não são voantes.

-Que pena.

.-. Como eu era perturbada com 12 anos...

16.5.09

sexta-sábado-domingo

Eu poderia escrever um ensaio gigante sobre o quanto eu odeio fins de semana. Juro. E sobre o quanto minha irmã me irrita. (E nem venham com essas hipocrisias ae de falar que sempre quis ter um irmão, porque "seria uma companhia". Quer companhia "pega o metrô na Sé às 18h" de uma quinta-feira, já dizia o grande mestre Lobinho.)

15.5.09

tw1tt4' :O

Bastava agora livrar-se do corpo, quente e pulsante, se não morto. Ao pé do altar da igreja abandonada: enterrou o pai e tomou a benção.#140

14.5.09

Só pra não dizer...

qu'eu não falei das lontras.


É, efeito das provas. Ou feitas as provas.

22.4.09

Tânat[-Er]os

Se se morre de amor! - Não, não se morre
Se morre, antes, dos dias,
de enfarto, hemorragia,
DST, cirrose hepática,
tuberculose, malária,
desnutrição cancerígena,
o mal do século, bala perdida.

Se se morre de amor! - Não, não se morre
Se morre, antes, da vida:
da morte,
anunciada.

18.4.09

3.4.09

[sem título]

Voava o Condor dizendo
"Melhor era o céu anil
Lá da terra do meu sangue"
Lá palmeiras (mais de mil)
Verdejavam os jardins
Que não via no Brasil

Sabiá olhava torto
Para o pássaro estrangeiro
Queria contar-lhe toda
História do brasileiro,
Desde os antigos indígenas
Que estavam aqui primeiro.

"Ano de 1500
Chegaram as caravelas
E todos os portugueses.
Nossas matas, de tão belas,
Invadidas pelo branco
Hoje não há nada delas.

São Vicente foi fundada:
O princípio da minha terra.
Terra fria e sem cana,
Pr'o progresso a espera.
O regente no Brasil
Descobriu a roxa serra.

Desde então se vê riqueza
Na tal vila rejeitada.
Desigual, nossa cidade
De miséria é cercada,
A São Paulo da garoa
Hoje vive de enxurrada.

Do progresso do café,
Das bandeiras, os primores:
Nossas ruas têm mais gente,
Nosso céu não tem mais cores,
Nossas noites têm mais tiros,
Na Augusta, mais amores."

Sabiá o tendo dito,
Alçou voo, foi pr'exílio.


Trabalho de Literatura do ano passado >D

21.3.09

Desenterrando

Já estamos quase no fim de março, e o que eu fiz até agora? Nada. Quer dizer, um pouco mais que nada. Mas sempre é bom generalizar. Ou não. Então o tempo vai passando, e a gente vai correndo. Correndo cada vez mais rápido em direção à morte, por mais clichê que isso possa parecer, ou ser. Alguns chegam logo, como é o caso do Julião. Outros não. Por enquanto. É como se a vida fosse um signo: um só existe delimitado por outro. Mas eu não estou apta a discorrer sobre o que eu não entendo: vida, morte e Linguística.

28.2.09

É para lá que eu vou

Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou.

À ponta do lápis o traço.

Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou.

Na ponta dos pés o salto.

Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou.

Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. E para lá que eu vou.

Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra “tertúlia” e não sei aonde e quando. À beira da tertúlia está a família. À beira da família estou eu. À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio.

Não sei sobre o que estou falando. Estou falando de nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome.

É para o meu pobre nome que vou.

E de lá volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos. Eles me responderão. Enfim terei uma resposta. Que resposta? a do amor. Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.

À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo.

Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto.

Oh, cachorro, cadê tua alma? está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo. E feneço lentamente.

Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.

Clarice Lispector
in “Onde estivestes de noite” - 7ª Ed.
Ed. Francisco Alves - Rio de Janeiro - 1994

19.2.09

Documentação

Platonismos, petrarquismos, camonismos.
Usando uma palavra grega "hipopótamo" acima das concepções de verdade museológicas de opinião e epistemopoucomeimporta. Explorar, conservar, proteger, moça, onde é a saída?

4.2.09

euri/

O estudante perfeito, que não desconfiava que era um chato, pensou: qual era a palavra mais difícil que existia? Qual era? Uma que significava adornos, enfeites, atavios? Ah, sim, gregotins. Decorou a palavra para escrevê-la na próxima prova.

(Clarice Lispector, "Onde estivestes de noite")

28.1.09

Misantropia natural

Os ossinhos miúdos tirintam nas mãos, penugem cinzenta, soro salgado de lágrimas e vida que escorre e escapa da agulha, subcutânea salvação. Marca do asfalto cru e inchado saltando da órbita, fundo ao globo, sentidos cortados, queimados curtos sonoros apenas. Fino e agudo clama por tudo ao nada em trépido frêmito. Pureza de alma aquecido por fim ao palpitar do coração ressoa ressona em cegos sonhos.

24.1.09

Bur-legis-lar ou O Processo

Segundo-consta
Artigo n+2
Parágrafo n-1+7n²
Item n!p-2^k
et coetera
et coetera etc.

Segundo-consta
Olhos já não choram

Segundo-consta
Grito não é mudo

Segundo-consta
somoslivres, somoslivros-carta-arquivamento

Segundo-consta
Temosletra-leite-leito

Segundo-consta
Todos-constam.

alo vosse

tenço. hagora eu tenho hum meis pra iscrever de tudu "herrado". reforma ortografika, aham. ah e si eu fikar xata e pedanti, favor me ispancaren, beigos.
modei o nome do blogui. ben mas loki que "existencialirismo".
(nota: pará de moodar o nomi do blogui há cada sês mezes.)

17.1.09

Blindagem

Você está muito bem agora que blindou seu carro. Vejo como você dirije com tranquilidade e firmeza, respeita as faixas, compreende os outros motoristas em suas decisões imediatas. Você para suavemente. Devo te dizer que você está sereno como se estivesse em casa, oferecendo um jantar às pessoas de sua confiança. Você está ótimo! Cara, você realmente está em seu elemento! Esse ar condicionado... esse rádio vazando bossa nova... Você está tranquilíssimo! Parabéns! Não posso deixar de notar que você está assim... e te dizer, é claro! Puxa, como você está bem dentro dessa blindagem!

(Fernando Bonassi, São Paulo/Brasil)

16.1.09

existenciaQUE?

Como o nome desse blog é horrível, pedante, pseudo-intelectual e idiota. Sugestões?

13.1.09

109 kcal

Esticou uma perna, depois outra. Virou-se de bruços. Tentou, não conseguiu. Levantou-se. Desceu até a cozinha. Passou manteiga na cream-cracker, muita manteiga. Gostava quando a matéria amarelada e gordurenta se esvaia pelos furinhos da bolacha.

11.1.09

Reforma ortográfica


Diario de Pernambuco, 08/01/09

6.1.09

Oi-e

Então que acabou a segunda fase e nada de vestibular certamente por um ano e espero que por mais alguns. A sensação de ter terminado as provas deve ser melhor que a de passar *-*
Anyway, eu 'tô na vibe da mendicância: alguém quer me dar óculos iguais aos da Madonna na Sticky & Sweet e da Lolita no cartaz do filme do Kubrick? :D Só oito dólares.


27.12.08

Dois mil e nove.

'xá só passar o vestibular qu'eu dou um jeito nesse layout horrível. É isso.

24.12.08

No mármore de tua bunda

No mármore de tua bunda gravei o meu epitáfio.
Agora que nos separamos, minha morte já não me pertence.
Tu a levaste contigo.

Carlos Drummond de Andrade, Amor Natural

21.12.08

Give it up, São Paulo!

NUNCA uma espera de quatro anos valeu tanto a pena (se cabe aqui uma piada-de-gente-idiota, valeu a galinha toda, sem qualquer referência).

-my sugar is raw!

19.12.08

tinta-na-cabeça

porque até o azul do céu se renova.

cores cores cores

cores cores cores!
heh.

18.12.08

UNIFESP 2009

Quando uma faculdade faz um vestibular cujo tema é a morte da Dercy, você sabe que ela é séria!

14.12.08

Já?

Mas eu tenho a vida tooooda pra virar gente!

13.12.08

Boneca fechada

"Já se dizia no meu
tempo: todo bandiguei
que se preze tem seu
gaydacu furolho."

"Se joga, pintosa.
Põe rosa!"
(Lema Drag)

Num tempo em que Cher ainda tinha cabelo, a buatchy Moon Spaikle era lotada de estrelas. Sheila-Shoulder, o strass Swarowiski da casa, tinha clientes fixos que a presenteavam com toda sorte de brilhos.

A mona era tudo o que uma trava queria ser: suas unhas de silicone-gel eram um escândalo-bee!-garras-de-pavão; as madeixas castanho-dourado-balaiage-surf-hair recebiam escovas hidratantes de manteiga de karité, chocolate e morango semanalmente; tinha olhos verde-esmeralda, herança dinamarquesa da avó, realçados pelos cílios postiços compridéééérrimos.

Helly Colêra amava aquela gata malhada. Conheceram-se quando Sheylinha era Robson e não passava de uma bichinha-pão-com-ovo. Colêra era um gatão meia-idade, bombadão e depilado, barbie oleosa das baladas GLBT, dançava furiosamente com seus flags ti-di. E tudo destacado pela reluzente corrente-coleira, origem da alcunha.

Porém a felicidade desse colorido casal de Malhação versão purpurina era perturbada pela despeita de uma beesha invejosa: a malévola Janete Poquete - "'Boquete'? Não, 'Porquete'!"

Janete Poquete era traíra: queria todo aquele brilho da boneca mais famosa, nada menos que isso. A exu-berância das curvas barbie-fairy-thopia inundavam os olhos da rival de cobiça. A mona invejosa praguejava, achava que era um puta-mundo-injusto-meu!: a outra tinha "money, fame, glam success", enquanto ela era uma gata borralheira naquela casa de drag.

Mas Janete não era passiva-uepa! - corria atrás do prejuízo - era uma quase-mulher guerreira. Numa tarde, jogada em seu divã rosa, usando o baby-doll comido pelas traças e calçando meias frouxas, ideiou um diabolicismo que poria fim naquele martírio: uma cartomante despacharia um trabalhinho contra aquela barbie-falsa, coisinha pouco. Levantou, deu um tapa na maquilagem e foi procurar uma colega de longa data que daria um jeito nesse puta-mundo-injusto-meu!

Nos confins de Guaianazes, Mãe Abigail, poderosíssima baiana, fazia de tudo: desde quiromancia, passando por leitura de runas, borra de café, tarot de Marselha, búzios, até manicure e pedicure.

Janete estava disposta a fazer daquele despacho um investimento, investimento num fundo (e que fundo!) de renda fixa, investindo para colher os juros depois.

O trabalho faz o cabelo da mocréia cair todo. Bibi disse ser da boa. Só umas mechas do cabelo e o scarpin do figurino.

Do cabelo não se tinha. Janete Poquete apoderou-se dos restos da depilação íntima de Sheyla. O trabalho fica até mais forte assim. Farofa de crista de galo regada a óleo de dendê socada dentro do sapato. Despacho feito, afastou-se rindo o riso mais maligno.

Sheylinha boneca, entretanto, fechava o corpo todo dia. Clientes feiticeiros abriam-lhe a alma e lhe fechavam o corpo. Mas nunca que trabalho do tipo pegava na bee!

O duelo foi frente-a-frente; muitas unhas e cabelos, chutes, pontapés, purpurina e estampa de oncinha. Porquete - "'Boquete'? Não, 'Poquete'!" - sagaz tirou da bag-Louis-Vitton-Vinte-e-Cinco o outro sapato do par-de-show. Cravou o salto do pescoço de Sheyla Shoulder, aqui, onde a carne é mais macia; um jato de sangue escapou-lhe a 50 joules numa inclinação de 63,5 graus. O sangue reluzia prata brilhoso-carnavalesco. Minha avó já me dizia: "Silêncio é morte de puta.". O mundo se calou. E se brilhou em purpurina.

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Trabalho pra Carla. Supostamente um conto Guimarães-Rosa-Style. Dinha, Aline, Damaris e eu.
(Nunca duvide da criatividade da Damaris. E da minha veia trágica.)

Igreja Libertária de Poesia Moderna

Agradeço a Mario de Andrade pela graça alcançada.

11.12.08

Sobre o deserto do Atacama.

Sabiam que o deserto do Atacama é deserto porque é seco, e é seco por causa de uma corrente marítima fria, e que essa corrente marítima fria vem do pólo Sul, e que o nome dela é Humboldt?
Eita vida besta, meldels.

8.12.08

Sebastianismo intra-pessoal.

Mano, eu era mais legal quando tinha oito anos. (sem qualquer referência a Dona Aurora)

Diálogo extra-astrológico

(Anninha ^^)

Clara olhava a lua,
Deitada na grama.
Rechonchuda,
Fitava de volta a garota.

Clara sorria à lua,
Deitada na grama.
Faiscante,
Sorria de volta à garota.

Clara dormia à lua,
Deitada na grama.
Reluzente,
Ninava, então, a garota.

Clara falava de amor à Lua,
Deitada na grama.
A Lua, no entanto, não compreendia.
- Luas não foram feitas para amar, mas para sorrir
Cintilantes
No céu estrelado
Aos amantes.

4.12.08

Matamoros (da Fantasia)

"(...), pensei morrer, disse vou morrer sim, ficarão abraçados nos minutos primeiros, as caras tétricas, e muito soluçosos nesta noite de pios da minha morte, depois a alegria há de tomá-los, mas por pouco tempo porque meu espectro estará rondando casa e quarto, arrefecendo o instante de ladineza, entre o corpo dos dois estará Matamoros, nuvem gélida espalhando padecimento e perdição, não deixarei que sintam a desnudez de nenhum, hão de tocar-se mas de espanto os dedos encolhidos saberão que tocaram o hórrido vazio, matéria de ninguém (...)"

Tu não te moves de ti, Hilda Hilst

1.12.08

Tratado sobre a morte e a não-vida.

No meio do caminho
tinha uma pedra
(e uma barata morta)
As formigas subiam-lhe e lhe devoravam os restos
(da barata,
não da pedra)

29.11.08

última-aula-de-projeto

may i feel said he
(i'll squeal said she
just once said he)
it's fun said she

(may i touch said he
how much said she
a lot said he)
why not said she

(let's go said he
not too far said she
what's too far said he
where you are said she)

may i stay said he
(which way said she
like this said he
if you kiss said she

may i move said he
is it love said she)
if you're willing said he
(but you're killing said she

but it's life said he
but your wife said she
now said he)
ow said she

(tiptop said he
don't stop said she
oh no said he)
go slow said she

(cccome?said he
ummm said she)
you're divine!said he
(you are Mine said she)

e. e. cummings

26.11.08

Brás(il)

Equatoriana
"chahara que a gente chama"
Minha'vó que deu.

22.11.08

Day Camp

- Esse bolo é bom?
- É, é um bolo. Só um bolo.
- Um bolo em-si.
- Isso, um bolo cheio de má-fé.

1.11.08

Park-poema

Proibida a
passagem de
pedestres
pela ram-
pa.

31.10.08

Metalinguagem metalingüisticamente

A função metalinguística se dá quando um texto, verbal ou não, faz referência a ele mesmo.

18.10.08

Claricismo

"Mas é a mim que caberá impedir-me de dar nome à coisa. O nome é um acréscimo, e impede o contato com a coisa. O nome da coisa é um intervalo para a coisa. A vontade do acréscimo é grande - porque a coisa nua é tão tediosa."
A paixão segundo G.H.

12.10.08

A paixão segundo C.L.

Que fique registrado o quanto eu invejo Clarice Lispector.

10.10.08

Cotidiano

“(...)
E quando se cumprir aquele
Instante, que tardando vai,
De eu deixar esta vida, quero

Morrer agarrado com ele.
Talvez me salve. Como – espero –
Minha mãe, minha irmã, meu pai.”
(O Crucifixo, Manuel Bandeira)

Os dedos de Glória correram-lhe pelo colo pálido e agarraram-se ao crucifixo de marfim já amarelado pelo tempo. Única lembrança da mãe. As lágrimas molhavam-lhe a face e os cabelos. O longo casaco encobria o corpo miúdo.

A rua, mais escura ao adentrar a noite, um frio cortante. Bêbados jogados às sarjetas, abandonados pela vida. A verdadeira Roda dos Enjeitados, sem que houvesse viva alma além do muro. Junto ao poste de iluminação, a garota espera. Todos os dias, há cinco anos.

Sorria um sorriso falso de felicidade forçada aos olhares de desprezo e comiseração. Cuspiam-lhe na cara. Puxava o amuleto que pendia ao colo. Beijava-o. As lágrimas voltavam a escorrer-lhe pela face, chegando-lhe aos lábios. Embriagava-se de seu próprio tormento.

Àquela manhã voltou para casa, roupas rasgadas, vergões fundos impressos na fina pele alva.

"O dinheiro."

Os olhos permaneceram fixos no chão. O pai foi tomado pela fúria.

O corpo de Glória jazia, ainda quente, nu, sobre a cama. Na face, marcas negras. Na cabeça, o sangue escorrendo, a marca da estaca de ferro. O cordão marcava-lhe o pescoço, o crucifixo caía ao lado da cama. Um cheiro nauseabundo invadira o quarto. O pai desfez-se das roupas ensangüentadas. Foi ao trabalho.

O jornal daquela tarde trazia a manchete estampada na primeira página: "Prostituta é morta pelo pai". Ou talvez tenha sido uma minúscula nota ao canto da terceira ou quarta página. Ninguém se lembra ao certo.

(isso-aqui-tá-uma-merda-mesmo)

5.10.08

Casa das Rosas

Germina. É broto e cresce
Tão bruto, reluz.
Criação padece
E jaz, só,
Sem luz:
Pó.

(porque a gente não consegue fazer soneto com versos decassílabos/alexandrinos, então faz essas porcarias...)

4.10.08

Olhe

Não que fosse um sonho de infância. Queria ser bombeiro. A pintura surgiu ocasionalmente, em um anúncio no jornal do governo. A arte nunca me havia inspirado admiração, nem ao menos desprezo. Eu entendo, hoje, sua essência.

A carteira é assinada, e o pagamento, insignificante. No entanto a obra, ah...a obra!, esta permanece viva nos destinos e nos caminhos do passante. Em meio à selva de concreto, as luzes piscam freneticamente como guias a apresentar as telas e esculturas de um museu. E os mais velozes param, diariamente, estarrecidos, a observar a arte ante seus olhos.

A obra não é original, é o pós-moderno: nós a resgatamos, dia após dia, universalmente. A Vida, então, vem, invade violentamente os espaços, e o Tempo, sempre soprando, tenta apagar a História. Sou chamado, então a renovo, as cores, os traços, tudo...É a primeira vez. Novamente.

E aquele contraste...! É o grande Tratado da Civilização. O fruto das Revoluções. Da Inglesa, da Francesa, da Industrial. A Amante Futurista, velocidade e progresso. O Positivismo impresso a tinta, em linhas, ordem e progresso. A arte urbana, concisa, precisa, nunca reconhecida, sem prêmios ou menções honrosas. Pintura marginal, expressão de uma cultura civilizada. Exclusão.

Em letras, apenas um conselho amigável: “OLHE”. E então podes atravessar a faixa de pedestres.

(6º lugar no concurso de literatura, sabe lá Deus porque. Eu classificaria como alguma coisa entre péssimo e Paulo Coelho.)

Anedota Búlgara

Era uma vez um czar naturalista
que caçava homens.
Quando lhe disseram que também se caçam borboletas e andorinhas,
ficou muito espantado
e achou uma barbaridade.
(Carlos Drummond de Andrade, Alguma Poesia)

27.9.08

Pós-modernidade manifesta

Verossimilhança é para os fracos. E tenho dito.

26.9.08

Ficções existenciais.

Há alguma coisa no Nada de muito intrigante.

19.9.08

Etilismo

Neurose
Mitose
Cirrose.

6.9.08

Nome novo.

É, porque eu cansei do outro.

30.8.08

Sobre potes e economia.

Eu declaro guerra às indústrias alimentícias!
(Pelo menos até elas começarem a fazer embalagens mais fáceis de abrir.)

29.8.08

Haikai trigonométrico

Um π sobre 4
Rebelou-se no seu ciclo
De raio que é 1.

28.8.08

Kamssaum do hexílho

As palmeiras da minha terra
Que gorjeiam como o sabiá,
Cismando sozinhas à noite,
Avistaram-me por cá.

Os bosques da minha vida
Das várzeas encontraram as flores,
E o céu de mais estrelas
Desfrutou dos prazeres dos meus amores.

Não permita Deus que eu morra
Cantando os Dias do meu exílio.

27.8.08

Bandeira pós-moderna

Paulo Souza Prestes era um empresário de nightclubs e morava na Mansão Verde da Avenida Indianópolis.
Uma noite chegou à boca-de-fumo
Bebeu
Fumou
Cheirou
Depois se atirou no Rio Pinheiros e morreu intoxicado.

25.8.08

Já deu.

Intelectualidades enchem o saco.
Vou ver filme hollywoodiano e comer pipoca, tchau.

24.8.08

Arrogância animal

Nas férias, Ana vai ao zoológico.
Passa pela Girafa
Não entende:
Por que olha de cima
Se o Rei é o Leão?


8.8.08

Sobre homens e lobos.

Explicava-me mais uma vez suas teorias bizarras. Dessa vez era a Panspermia Cósmica. A vida veio de Espaço, nascida do Infinito. Talvez em um buraco negro. Insistia nisso, ainda que não acreditasse de corpo e alma. Qualquer momento era o oportunidade ideal para explicar o Universo.

-Acaso haveria baratas se eu não estivesse correto? Era um argumento difícil de contestar.

O mundo gira, e tudo é relativo. Essencialmente, e universalmente.

23.7.08

Migna Terra

Migna terra tê parmeras,
Che ganta inzima o sabiá.
As aves che stó aqui,
Tembê tuttos sabi gorgeá.

A abobora celestia tambê,
Che tê lá na mia terra,
Tê moltos millió di strella
Che non tê na Ingraterra.

Os rios lá sô maise grandi
Dus rios di tuttas naçó;
I os matto si perde di vista,
Nu meio da imensidó.

Na migna terra tê parmeras
Dove ganta a galigna dangola;
Na migna terra tê o Vap'relli,
Chi só anda di gartolla.
Juó Bananère

Isso é tão...família.

18.7.08

...

Estava pensando em uma coisa inteligente para escrever aqui.
Então entendi que é mais inteligente não escrever nada.
Se você não pode ser bom, seja, ao menos, cuidadoso.

10.7.08

Em algum lugar no passado...

Autour de moi
Je ne vois pas
Qui sont les anges
Surement pas moi

4.7.08

Sobre dívidas

Se ler é pegar emprestado, e escrever é pagar a dívida, eu defendo a moratória literária.

3.7.08

Da violência contra a mulher

Relatório da Anistia Internacional diz que 1 bilhão de mulheres já foram espancadas ou estupradas. 20% das mulheres são alvo de estupro.
(...)
De cada cinco mulheres no mundo, uma será vítima ou sofrerá uma tentativa de estupro até o fim de sua vida.

http://www.patriciagalvao.org.br

Considerações sobre o TCC do Fernando.

Por que razão, motivo ou circunstância eu prestei química?

1.7.08

Heath Ledger está assustador em "O Cavaleiro das Trevas"

Eu também estaria assustadora se estivesse morta e em um filme cujo subtítulo é "O Cavaleiro das Trevas".

MADAME CLESSI (inquieta) - Seria tão bom que cada pessoa morta pudesse ver as próprias feições! Eu fiquei muito feia?
(Nelson Rodrigues, Vestido de Noiva)

30.6.08

Reforma linguística

Para que mudar o uso de "homem" como termo genérico para "ser-humano" e impor a mulher à sociedade patriarcal se podemos acabar com algo tão importante como o acento agudo nas paroxítonas terminadas em ditongo oral? Ah, é. Não se mudam os costumes.

29.6.08

Ingenuidade

Mas que monótona não deveria ser a vida de Don Juan! Ele pensava que todas as mulheres eram iguais...

(Mario Quintana, A Vaca e o Hipogrifo)

27.6.08

[sem título]

Abre os olhos;
Luz.
Aproxima-se o anjo
-Sinto muito. Não há mais vagas.

11.6.08

ai!...que preguiça!

Quando você se identifica com Macunaíma, está na hora de começar a se preocupar.

10.6.08

Quê?

"Por que viver?"
Porque a vida é engraçada, eis tudo.

1.6.08

Do desejo

VI

O que é a carne? O que é esse Isso
Que recobre o osso
Este novelo liso e convulso
Esta desordem de prazer e atrito
Este caos de dor dobre o pastoso.
A carne. Não sei este Isso.

O que é o osso? Este viço luzente
Desejoso de envoltório e terra.
Luzidio rosto.
Ossos. Carne. Dois Issos sem nome.

Hilda Hilst

16.5.08

Nas Trevas

Nas Trevas
Amis Guilboa

se me apontam: pedra
e eu digo: pedra
eles dizem: pedra

se me apontam: árvore
e eu digo: árvore
eles dizem: árvore

mas se me apontam: sangue
e eu digo: sangue
eles dizem: tinta

se me apontam: sangue
e eu digo: sangue
eles dizem: t i n t a
tradução: Haroldo de Campos
Finalmente eu consegui alguma poesia israelense. Graças ao professor Raul. :D

7.3.08

Uma nova etapa?

Então logo vai começar o cursinho, e eu já estarei me preparando para prestar o vestibular e começar a minha faculdade de...Letras. Não acho que eu preciso de um ano de cursinho pra ingressar em uma faculdade de 3 candidatos/vaga. Quero dizer, não é Medicina, nem Direito, nem Publicidade. É Letras. Eu vou virar professora, oi. Ainda não entendo por que tem gente que prefere Direito a um curso de Licenciatura, porque, acordeeem, advogado e médico só ganham 50.000 a cada casinha laranja no Jogo da Vida!
De qualquer forma, eles estão pagando pra eu fazer o cursinho. E os simulados. E os reforços. E ganhar o material. Pensando bem, não é tão ruim assim. Mas eu ainda acho que eles deveriam nos dar os livros obrigatórios da Fuvest, que tem esse ano na lista Iracema *-* Hm...eu acho que eu sou a única pessoa que gosta de Alencar. Não Romantismo primeira fase, mas Alencar mesmo. Por falar em escritores e blá blá blá, Machado de Assis era muito corno, beijos.

29.2.08

Só eu penso assim?

Incrível como ela não consegue sustentar 5 míseros minutos de discussão sem passar pelos lugares-comuns. "Seu pai...", "A casa é minha!", ou então "Fala isso pro seu pai!". Não sei se sou só eu, mas ficaria muito mais abalada se tivesse que ir buscar minha filha de treze anos na porta do bar do que se minha outra filha duvidasse da minha capacidade de memória.
Grandiosa, para não dizer magnífica, a idéia de alterar todas as coisas do único lugar, e até situação, ao qual eu já estava habituada. Espanta-me que provavelmente nem tenha passado pela sua mente que algumas coisas poderiam estar seguindo um padrão lógico de posicionamento.
Mais, alguém sabe em que momento X não entrar em um lugar implica em Y não sair do mesmo?

11.2.08

Volta às...aulas?

Porque, heh, quinta-feira começam as aulas. Digo, a escola abre pra gente. Mas não tem graça. Nós somos os veteranos master. Nós. Há, agora sim tá sem graça. Ainda mais com esse integrado. Devia ter feito parte do Comitê de Luta Contra o Mundo pra impedir o corte de vagas. Mas até parece que ia adiantar. .-. Quando a gente entrou, já tinham cortado uma sala. Já 'tava nos planos acabar com a nossa estirpe. AUHUHAHA eu adoro essa palavra! Estirpe.
Hoje começaram as aulas da minha irmã. E vai ter trote. Assim, 4ª chamada no KK não é pra qualquer um, right? XD Ah, pelo menos ela ganhou todos os livros e uma camiseta.

Mudando de assunto, alguém quer adotar um gatinho? São tão lindoooos *-* A Nara tá com 4. Só ver as fotos no orkut dela. Gatos não dão trabalho, fazem suas necessidades (hoho) na caixinha de areia, comem pouco e não precisam tomar banho. Ainda caçam gafanhotos, baratas, lagartixas, etc.

1.2.08

Feriado cara-de-mamão

Eu nunca vou nos treinos de krav magá que tem durante a semana. Sempre com preguiça. Então chega o sábado e eu 'tou morrendo de vontade de vestir a roupa de pai-de-santo meu uniforme , amarrar minha suada faixa e rolar naquele tatame azul cheio de buracos diante das bandeiras brasileira e israelense.
Mas agora não adianta reclamar. Só sábado que vem, beijos.